Interface

Sobre minha pele o desenho
do rosto em traços atualizados
pelos olhos dos outros.
Descrição surreal.

Cabelos brancos e curtos
lembram anos esquecidos e
guardados na memória de outros;
agora personagens.

Sob a pele e os cabelos rentes e brancos
um pensamento sem tempo; ingênuo.
As armas apontadas e decididas a matar
enquanto pondero o momento.

Um coração automático
lembra horas basais.
Enrijecido, nada mais convence que o calor
de bater é bom sem ter motivo

Dois pulmões abastecem
e manifestam alegria e ansiedade.
Em outras peças importantes minhas
sou redimensionado e ignoro funções existenciais.

Um fígado, dois rins e um enorme intestino,
cérebro abdominal,
negociam, filtram, selecionam e consomem
como sindicato, as decisões da voz pensante.
E a vontade inesgotável
de construir e contaminar.
E criar novas interfaces;
de iludir. Muitas vezes abominável.
Sob as marcas da pele como se mapa
as fundações duras sustentam um desconhecido universo.
Sirvo de repasto para muitos mundos.
Fluxos ritmados de várias umidades transportam ordens
imediatas para sobreviver.
Sob as marcas da pele ofereço
interface amiga.
Em ouvidos imensos e olhos estreitos,
a boca muda guarda língua curta.

Interface que desbota
se esvai ao ser consumida.
Nem percebe que sua luta
aduba o que ilude ser vida.

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