Terras Distantes

Multidão de destroços em movimento
Seminus em seus corpos humilhados.
E almas cruentas arruinadas
Sob olhares de um mundo acostumado.

Anciãs, antes da hora, expostas
Exibem o furor de intolerantes raças.
Um rio vermelho seca devagar
Em meio ao pó escorre e irriga medos.

No terror, esse porão do coração humano,
O ódio festivo é comemorado sob bandeiras
Das ilusões de verdades impostas;
Inquieto em sopro frio de alucinações.

As imagens, disputadas como prato do dia,
Esquentam as mesmas misérias sem datas.
Nomes estranhos em rostos iguais descritos,
Por especialistas, como rebanhos negociados.

Línguas confusas choram, deduzo.
Em corpos que lembram o meu.
Não percebo meus pés molhados,
Não entendo minha língua gemendo ao lado.

São bonecos de terras distantes, concluo.
Vivem neste mundo em outra dimensão.
Do meu lado o Sol corre limpo e sobre trilhos;
Nasce vermelho e é entregue dourado.

Não antevejo ser eu mesmo reserva,
Recurso a ser devorado.
Sob as bençãos gentis de muitos deuses
Deste mundo abandonado.

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