Paisagem

Dia de clara tarde
No morro próximo e felpudo
Árvores escuras perfiladas
Onde o verde e o azul
Tocam-se fechando o mundo.

Restos de branco espalhados
Movimentos distantes o céu velejam
Quanta beleza em cena pura
Entra pelos olhos admirados.

Lá no alto do verde monte
Grandes corpos a passos lentos
A linha azul quase tocam
Nem percebem o movimento
Fazendo parte da pintura.

Sob aqueles olhos arregalados, imagino
Outros corpos existentes
Em profundidades diferentes
Vivem seus mundos pequenos
Ignorando tudo ao lado.

Outros olhos desconfiados
Nem sabem para onde vão
Inquietos, ficam a dar voltas
Fogem, escondem, temem
Revelar verdadeira solidão.

Mas chega hora urgente
E toda paisagem se esquece
Estou de volta ao fluxo
Os olhos não se revelam
Ligo o carro e acelero
Para onde? Para onde?

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