Borboletas

Flores inodoras
Flutuantes,
Em palmas trêmulas
Pra si mesmas,
Beijam nas imagens refletidas
Irmãs por raízes retidas.
Voos convulsos e sem sons,
Latejam como delírios
Sob sol de tintas grossas.
Paisagens sem colonos,
Esteticamente felizes ( exceto as nascituras bruxas
em seus véus de descrença e rancor )
Sem lugar pra emoções entediantes
Avaliam olhos invejosos.
Cumprem trajetos erráticos; cumprem.
Poeiras aglutinadas em traços coloridos
Pedaços picados de um mapa
Perdido.
Voos solitários entre sobrevoos
De solitários voos, aos milhões.
Esforços em pulsos constantes
De viver a vida; de viver
Sobre o azul infinito contido, um mar.
Entre mechas amarelas e brancas
Antenas perscrutam e esperam
Pelos beijos e sexo delicados.
Todas cumprem ordens, ordens.
Os mesmos olhos lamentam:
É difícil viver a solidão
Se a sedução conhece fragilidades.
Nos obeliscos imponentes das praças
Imagem de forças superadas.
Transitórias dominações vencidas
Nas sutilezas das borboletas desenhadas.

Vidas em sopros finos, quase presentes
Sem pesares, com desvãos sem fantasmas,
voos vãos; Idos. ( concluem lúcidos olhos sãos)
Desmancham suas cores de pó fino; de pó .

E os obeliscos continuam. Admiráveis.

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