Senhora Morte

Carros indecisos à frente
assistem ao dilema, indecisos.
Houve quem não esperasse.
Quando cheguei, quase vi o pior.
Parei ao lado de colegas apressados
em seus ternos de lata para o trabalho;
alguns puídos e desbotados,
outros exibiam o brilho da eternidade.
Mas eram dignos, talvez, e seguiam indiferentes.
E, em nada, a não ser no dia, pensavam.
Senti o vento raspando seco
assustou quem ia para o outro lado.
Esperei na marca e o tempo recuou centúrias.

Acelerando o passo atravessado
a senhora solitária tão magra como traço,
desenho envelhecido,
descoberta sob o pó pelos carros soprado
corria sem olhar para o lado
que deveria e que era examinada.

Sua pele exageradamente colada
nada era sensual
não tinha curvas ou cores
apenas retas e quedas abruptas.
Imaginei a voz de uma criança doente.
A boca pequena seca
não tinha lábios.
Na mente, a voz saiu embruxada.

não hesitou em lançar
um último charme cambaleante.
Um olhar de dezoito em corpo esculpido
por centenas de anos em químicas.

Foi breve.
Mas suficiente para sentir meu coração enforcado.

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