Resende Costa

Resende Costa

Resende Costa

Roberto Vagner Reis

Não sou O poeta mas berço tive.
Não era de ferro mas duro igual, de pedra.
Em Resende Costa nasci e
vivi o suficiente para marcar
o que ainda hoje meu coração sente.
Enxergo longe sem maldades,
impregnado pela limpidez do horizonte
cheio de morros verdes e pedras,
desvendados de cima.

Seu horizonte, metade do mundo.
Noventa por cento pedra
O restante coração.
Ambição contida, sólida.

De lá, nota distante, trago memórias:
um sino lamentoso mesmo em festas,
uma senhora greco-gordona mística,
um cheiro de mofo em festa, perfume de pizza.

Os santos pecadores esculpidos
aguardam dos humanos o perdão;
vasculham seus vazios em êxtase
envergonhados por despropósito vão.

As ruas mal calçadas,
de iluminação medrosa.
Suas casas pobres e tristes,
retas e econômicas.

Resende Costa, luz distante,
no álbum de meu big bang
amigos e família agora estranhos.
Não tenho parede com fotos.

Em minha memória orgânica,
não sendo um dia corrompida,
saberei do bom lugar que não existe,
Resende Costa, de onde vim.

Uma grande pedra, longe de ser dilema,
o começo de meu caminho.

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