Diariamente

O fazendeiro cultiva várias formas de vida,
O açougueiro as destrincha nos melhores pedaços,
O vegetariano as arranca pelas raízes,
O cozinheiro as tempera para a salvação.
Então:
O alfaiate costura dignidade para condenados,
O advogado defende sua vida com garras,
O médico remenda rasgados,
O religioso emite apólices inseguras, (só os ocidentais)
O pintor desenha perspectivas,
O escritor registra possibilidades,
O policial caça cumprindo ordens,
O promotor acusa; vício de linguagem,
O bombeiro limpa merdas, quentes ou submersas,
O engenheiro constrói sepulcros vivos,
O arquiteto os decora com o preço da morte,
O eletricista, quando vem, distribui cabos confusos e curtos,
O porteiro cansado, sempre sentado, assiste,
O bandido entra sem ser anunciado.
O pedreiro ergue barreiras e isolamentos,
O carpinteiro cria esconderijos e tampa ventos,
O despachante, sobrenome santos, faz milagres, bem pagos,
O vendedor vende o que não compra,
O modelo seduz com prazer que não sente,
O taxista, quando não sobe, desce, vira ou fica parado,
O motorista impaciente se submete a sinais.
O jornalista pode ser radar rodante,
O professor é o primeiro a ser esquecido(?)
O psicólogo pode ser a mão no abismo,
O enfermeiro, o enfermo, a enfermaria: contatos.
O astrônomo viaja em ondas sem respostas,
O juiz, julga. Sobre- humano, nunca a ele.
O coveiro cava a cova, tábula rasa,
O corpo desce, solitário, alheio às lágrimas.
Sem sonhos, sem possibilidades.

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