Ano Novo

 

Ano Novo
O dia surge no horário previsto.
O Sol é dourado e parece acordar
tão fresco como há 4,5 bilhões de anos.
Na última chamada para as rotinas
os seres correm para seus lugares
sem questionar; muitos são outros.
Algumas nuvens se pintaram

Com as cores do momento
passam densas à procura de trabalho; preocupações…
Aos poucos, evaporam-se no muito alto mar do céu.
Os pássaros, à toda corda, em felicidade infinita
voam como bezerros soltos no espaço.

Homens se levantam cansados
mal acordados e ressentidos.
Mais um dia sabido comum;
mais um dia de homem comum.

Passados os fogos, microssois da utopia.
Todos os homens precisam de costuras.
Única forma de se prenderem ao Tempo.
Numa tristeza de festa não consumada
aguarda ser repetida é o que consola.

De novos mesmos dias
plenos de mesmas horas.
Nesta Terra que vivencia três tempos
e ignora,
presentes em tempos diferentes.

A existência é salva por cores
expostas em prateleiras ordenadas
como um arco-iris de dores
aprisionadas.
.
No indecifrável universo mecânico,
comemorações de animal insatisfeito.
Ruidoso, para afugentar o silêncio,
festeja com alegria pia e macaqueia
seu mais profundo
medo.

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