Globalização

Ao meu redor, um mundo inteiro
em letreiros conhecidos luminosos.
Da janela, vejo qualquer país
como meu, em línguas diferentes.

Esse mobiliário íntimo conforta
mesmo que não leia as palavras.
Sei, por habilidade quase genética,
o que diz a mensagem.

Sou torcedor do Ocidente!
Com orgulho, admiro ferozes soldados.
Valentes guerreiros bem equipados,
distribuidores de balas e bombons ejetados.

Sou torcedor e, desse modo, tratado;
levo balas; moro nos fundos.
Absorvo etiquetas de viver.
Consumo esse mundo.

Outros terrestres, nascidos com o Sol,
vivem sempre em tempos quentes.
Escondem-se em sombras místicas.
Alguns se refrescam em sangue.

Bolhas de gases envenenados soltas
cheias de mágoas humanas.
Choros humanos em diversas gravidades,
indignam apenas as primeiras páginas.

Flatos da mãe Terra assaltada
invadida por homens guerreiros,
brutais, sem lado.

(Reflito apenas, muito assustado, que tipo humano
causaria tamanha intolerância terrestre)

Fico calado e torcendo;
pensando bem, sou apenas mais um
sobrevivente camuflado.

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